A produção e consumo de alimentos têm seguido novos caminhos. Se antigamente o que prevaleciam eram as opções não processadas ou com pouca interferência da indústria, hoje em dia, temos que admitir, as comidas prontas conquistaram seu espaço - e não como “coisa de fim de semana”, mas no dia a dia mesmo.

A facilidade de ir ao mercado ou a uma rede de fast-food e já sair com o alimento pronto para comer e beber (ou precisando de apenas alguns minutos no microondas) têm se tornado cada vez mais tentadora.

O problema é que a comodidade e o prazer de consumir essas comidas que, sabemos, são saborosas, têm contribuído para o aumento das taxas de diabetes e doenças cardiovasculares em todo o mundo. Para se ter uma ideia, em dez anos os casos de diabetes aumentaram 61,6% somente no Brasil - e os problemas cardíacos não ficam para trás, sendo a principal causa de óbitos no mundo.

Foi nesse contexto que cientistas passaram a questionar a tradicional classificação de alimentos, que apenas os dividiam entre os processados e não processados - afinal, a grande maioria das opções se encaixam no primeiro grupo. Por isso, foi criado um novo sistema de registro, a NOVA.

Ela agrupa os alimentos em quatro grupos distintos, cada um com um nível e propósito de processamento diferente. Por processamento, inclusive, entende-se qualquer processo físico, biológico ou químico que aconteça depois da retirada do alimento da natureza e antes que ele faça parte de alguma preparação culinária.

Para saber mais sobre como reconhecer aquelas opções que fazem tão mal a saúde - e garantir que a família e especialmente as crianças ficarão longe dos ultraprocessados - confira mais detalhes abaixo:

 - Alimentos in natura ou minimamente processados: legumes, arroz, feijão, carnes congeladas ou resfriadas, café. Nesse grupo estão inclusos os itens que não passaram por qualquer tipo de modificação após serem retirados da natureza - ou que sofreram mínimos processamentos, geralmente com o objetivo de aumentar a duração e validade dos alimentos.

Ingredientes culinários processados: sal de cozinha, açúcar, óleos de soja ou de oliva, manteiga. Aqui estão os ingredientes que não só foram extraídos diretamente de alimentos do primeiro grupo como geralmente são utilizados junto a eles no preparo de receitas. Nesses casos, o objetivo do processamento é criar produtos para temperar e deixar as refeições mais saborosas.

Alimentos processados: castanhas adicionadas de sal ou açúcar, carnes salgadas, peixe conservado em óleo ou água e sal, queijos, pães. Nessa categoria há um processo industrial para juntar os produtos dos dois grupos citados acima. O propósito do processamento é modificar o sabor e aumentar a duração do alimento por meio de diversos e longos métodos feitos em fábrica.

Alimentos ultraprocessados: refrigerantes, sorvetes, chocolates, balas, pães de forma, bebidas energéticas. Esse grupo contém as comidas que deveriam ser evitadas em qualquer dieta - e que só existem por conta de processos feitos exclusivamente pela indústria. Geralmente, seu preparo envolve alguns itens do segundo grupo (como açúcar e sal) e outras substâncias não usuais para preparações culinárias, como texturizantes, para simular um efeito in natura ou ocultar sabores indesejáveis. A formulação dessa comida é toda feita para ser barata, pronta para consumo e altamente saborosa.

As dicas de ouro para a boa saúde

Com base na classificação NOVA, as recomendações para uma dieta balanceada e mais qualidade de vida é colocar os alimentos in natura ou minimamente processados como base da alimentação, utilizando os ingredientes do segundo grupo em pequena quantidade. O consumo de comidas processadas deve acontecer de maneira limitada e sem abusar. Já os ultraprocessados devem ser evitados ao máximo e nunca como substitutos do primeiro grupo.

Por isso, tente optar por água e suco de frutas no lugar de refrigerantes e bebidas lácteas; se possível, dê preferência àquela comidinha feita em casa - e não caia nas tentações de macarrões instantâneos ou pratos congelados. Lembre-se: desembrulhe menos e descasque mais!