É consenso que os cuidados com os filhos devem começar já na gravidez. O novo filme da diretora Estela Renner, roteirista e cofundadora da Maria Farinha Filmes, vai além: argumenta que os primeiros mil dias de vida do ser humano são capazes de marcar para sempre o indivíduo e a sociedade.

Entre falas de famílias anônimas e famosas, ricas e pobres, especialistas de várias áreas e países se revezam para atestar a importância da primeira infância na formação do indivíduo e na estruturação da sociedade. Esse é o eixo do documentário ‘O começo da vida’ (disponível em canais por assinatura).

“É um filme sobre a importância do relacionamento humano nos primeiros anos de vida”, explica a diretora Estela Renner.

A pediatra e nutróloga Maria Paula Albuquerque, diretora clínica do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN, http://www.cren.org.br/), concorda. Ela assistiu ao filme e chama a atenção para o cuidado com a alimentação oferecida aos bebês. O aleitamento materno e, posteriormente, uma nutrição balanceada e saudável são decisivos no desenvolvimento da capacidade de aprendizado da criança e na maior proteção contra doenças, inclusive na fase adulta. E, assim como outros aspectos do relacionamento humano, a alimentação saudável tem a ver com a interação entre pais e filhos, com a troca de afeto.

É consenso que o aleitamento traz vários benefícios para a mãe e o bebê. “Há evidências de que a nutrição materna está associada ao maior ou menor risco de o bebê adoecer. Embora o aleitamento materno seja muito importante, temos taxas baixíssimas em relação ao que é desejável. O leite materno reduz o risco de doenças cardiovasculares e infecções”, diz a pediatra.

Paula destaca dois assuntos no filme: a insegurança alimentar, isto é, a insuficiência de renda para comprar alimentos, e a questão cultural, na qual o consumo de alimentos ultraprocessados (com alto teor de gordura, sal e açúcar) é sinal de status. “Se voltarmos às nossas raízes e tradições, como o feijão com arroz e os alimentos mais tradicionais, vamos aumentar a chance de nos alimentarmos melhor”, afirma.

Uma cena do filme que ficou na memória da pediatra foi a de uma mãe negra, ex-presidiária e pobre, com seu filho: ela dá banho, brinca e interage com o menino, tudo com muito carinho, e conta um pouco da própria história. Ela comenta a importância dessa interação e a capacidade de aprendizagem do seu filho: “Só o fato dele estar batendo assim na minha mão, ele já está aprendendo; quando ele bate palminha eu vou até o céu!”, conta a mãe emocionada. O documentário mostra que o afeto reforça a capacidade de aprendizado.

“A mensagem que mais gostei do filme foi ‘é necessário cuidar de quem cuida’. Para educar uma criança, é necessária uma tribo e somos todos responsáveis”, afirma a pediatra.

 

Para saber mais: http://ocomecodavida.com.br/