Pacientes acima do peso precisam ser acompanhados com mais atenção

Um estudo publicado na primeira edição de maio da revista da Associação Médica Americana mostra que, apesar aumento da prevalência da obesidade infantil, foram poucos os pedidos de exame de colesterol para crianças entre 1995 e 2010 nos Estados Unidos. A pesquisa liderada por Samuel Vinci, do Hospital Pediátrico de Boston, concluiu que apenas 3,4% das crianças a partir dos 9 anos de idade foram submetidas à aferição, seguindo orientação desde 2007 da Academia Americana de Pediatria e da Associação Americana do Coração.

Segundo a professora e pesquisadora da Unifesp Fernanda Ceragioli Oliveira, no Brasil, o acompanhamento anual do perfil lipídico é recomendado para adolescentes desde 2005, quando foi elaborada a I Diretriz de Prevenção de Arteriosclerose, um trabalho conjunto das sociedades brasileiras de Cardiologia, de Endocrinologia e de Pediatria (SBP). Dez anos antes, porém, a solicitação desse tipo de exame para crianças e adolescentes com excesso de peso já era preconizada pela SBP e pelo Departamento de Pediatria da Unifesp. O diagnco e o tratamento precoce do aumento do colesterol ruim (LDLc) e de triglicérides diminuem os riscos de formação de placa de arteriosclerose e de dano vascular, e, consequentemente, de doenças cardiovasculares como angina, infarto e acidente vascular cerebral.

"Sabe-se que, nas crianças e nos adolescentes, a dislipidemia mais frequente é a secundária a doença ou a medicamento. A dislipidemia primária com elevação do colesterol LDLc é praticamente assintomática na infância na sua forma heteroziga, quando o indivíduo tem 50% dos receptores de LDLc comprometidos. Assim, toda criança com doenças que levem ao aumento do colesterol como obesidade, diabetes, doenças renais, doenças hepáticas deve fazer esse exame", explica a especialista, acrescentando outras condições em que o perfil lipídico deve ser pedido. "Aquelas que fazem uso de medicamentos como inibidores de protease, corticoides e alguns imunossupressores, além das que têm histórico familiar de colesterol alto ou de pais que sofreram infarto ou tiveram outra doença cardiovascular em idade precoce (antes dos 55 anos nos homens e dos 60 nas mulheres), devem realizar os exames."

A pediatra, que integra o conselho do Departamento de Nutrologia da SBP, enfatiza que o acompanhamento do sobrepeso e da obesidade infantil não pode prescindir desse tipo de controle: "Independentemente da faixa etária pré-escolar, escolar ou adolescência, há obrigatoriedade do exame do perfil lipídico e da investigação de outras comorbidades, como dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes e esteatose hepática (gordura no fígado)".