Tania Zagury (*)

Uma mamãe me pergunta como agir para que o filho de sete anos se alimente melhor na escola. Em casa, afirma não ter problemas, porque segue o que o pediatra recomenda. Mas na escola não pode controlar o que ele compra e isso a preocupa, mais ainda porque o menino já tem sobrepeso. O problema aqui se situa na compra da merenda. Quando os pais dão dinheiro para o lanche, estão repassando ao filho a decisão de o que comer, salvo se antes o orientarem. Se nada disserem a respeito, ele optará pelo que o apetece, claro! Muitos pais têm receio de contrariar suas crianças, porque lhes parece que, junto com a carinha feia que os filhos mostram nessas horas, se vai também o amor... Quem tem esse medo tende a repassar à escola ou, pior, à criança decisões que não lhes cabem. O que comer ou a hora de dormir são exemplos. E, por mais que você ouça dizer que "as crianças de hoje são diferentes" e "já nascem sabendo", não acredite! Crianças não têm maturidade para tomar decisões importantes, razão por que são consideradas "menores" de idade. Espanta constatar que seja necessário reassegurar a papais orgulhosos que não cabe à criança definir assuntos que se referem a sua saúde, segurança e formação – por mais que seus fofinhos lhes pareçam gênios! Decisões que influenciam o presente e o futuro dos filhos são de alçada exclusiva dos adultos. Não é de admirar que o menino do nosso caso engorde, porque só compra bombons e refrigerantes – ele tem sete anos apenas! E embora as escolas venham dando mais atenção ao que se vende nas cantinas (já existe legislação a respeito), se puder escolher, a criança decidirá pelo que gosta, não pelo que deve. Pode até ocorrer de as duas coisas coincidirem. Sim, existem crianças que gostam de brócolis! Mas é raro... A solução para o problema é simples: mandar a merenda de casa ou definir com a criança as opções com que terá de se comprometer para continuar a comprá-lo. Mas é necessário informar claramente o que deve constar do lanche sempre. O menino não conseguiu optar pelo saudável? Cabe, pois, aos pais reassumir a tarefa. Um tempo depois pode-se dar nova oportunidade, afinal eles adoram comprar sua merenda. Mas estabeleça os itens que devem ser priorizados; e os que podem ser flexibilizados. Limites são também importantíssima aprendizagem de saúde, sabia? Quem é que pode comer só o que gosta por toda a vida? Um lembrete final: verifique se não estão restringindo demais itens como sorvete, um chocolatezinho ou uma fatia de pudim. Não é necessário cortar totalmente carboidratos, especialmente se a criança pratica esportes e tem atividades livres regularmente. Hoje, nem diabéticos (bem controlados!) têm restrição total de carboidratos. Limitar demais não é bom: afinal o fruto proibido é sempre mais saboroso! O lanche deve ser saudável, mas também simpático ao paladar da criança. Deve conter uma porção de carboidratos, uma de leite (ou derivados); uma de frutas e uma bebida (sanduíche de pão com queijo; uma maçã e suco de melancia, por exemplo). E, para conciliar o gostoso com o saudável, leve seu filho ao supermercado com você. Sob orientação, ele, aos poucos, aprenderá a escolher o que é saudável e a conciliar com o que acha gostoso...

(*) Filósofa, mestre em Educação, escritora, autora, entre outros, de Filhos, manual de instruções.