Em sua segunda edição, o Dia Mundial da Obesidade - celebrado em 11 de outubro - adota como tema a obesidade infantil. E a Federação Mundial de Obesidade (WHO, na sigla em inglês) apresenta um quadro preocupante: apesar dos esforços da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de crianças e adolescentes obesos no mundo está aumentando, principalmente nos países menos desenvolvidos. Diante desse cenário, a WHO diz que é preciso ampliar a oferta de alimentos saudáveis e incentivar o consumo desses produtos desde os primeiros anos, promover a prática regular de atividade física na infância e criar serviços de saúde locais voltados para a prevenção da obesidade infantil, entre outras medidas.

 “O Dia Mundial da Obesidade é uma data para lembrar, pelo menos uma vez por ano, da necessidade de ações de prevenção e tratamento da obesidade. É fundamental que os governos se conscientizem de que estamos perdendo essa guerra”, alerta o endocrinologista Walmir Coutinho, ex-presidente da Federação Mundial de Obesidade.

Dados da OMS indicam que uma em cada três pessoas no mundo está acima do peso (sendo42 milhões menores de cinco anos). E 11% dos homens e 15% das mulheres sofrem de obesidade. No Brasil, o número de adultos obesos cresceu 2,1% entre 2014 e 2015 (segundo a Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico 2015). Nos mais jovens (de 13 a 17 anos), o índice de obesidade já atinge 7,8% desse grupo, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense 2015). Entre as crianças brasileiras (de 5 a 9 anos), a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008/2009) apontou obesidade em 16,6% dos meninos e 14,3% das meninas.

Hoje um grande número de crianças no mundo vive em ambientes que favorecem o ganho de peso, com um maior acesso a alimentos industrializados e pobres em nutrientes, alto consumo de bebidas ricas em açúcar e sedentarismo. Em estudo, a OMS diz que "políticas fiscais que levem a um aumento de, pelo menos, 20% nos preços de varejo de bebidas açucaradas poderiam resultar em reduções proporcionais no consumo de tais produtos". E ainda: "a redução no consumo dessas bebidas significaria a queda no consumo de açúcar e calorias, melhorando a nutrição e a prevenção e o controle da obesidade, do diabetes e de doenças dentárias”.

Para reverter a tendência de aumento do sobrepeso e da obesidade na infância, é necessário o envolvimento de toda a sociedade. O relatório da Comissão pelo Fim da Obesidade Infantil (ECHO, na sigla em inglês), da OMS, traz orientações nesse sentido, principalmente aos governos.

Conheça as principais recomendações do Relatório da OMS

- “Implementar programas abrangentes que promovam o consumo de alimentos saudáveis e reduzam a ingestão de produtos pouco saudáveis e bebidas adoçadas com açúcar por crianças e adolescentes (por meio, por exemplo, da tributação efetiva das bebidas adoçadas com açúcar e redução da propaganda de alimentos não saudáveis)”.

 - “Criar programas abrangentes que promovam a atividade física e redução do sedentarismo em crianças e adolescentes”.

- “Integrar e reforçar as orientações para a prevenção de doenças não transmissíveis, com orientação atualizada sobre cuidados pré-natais (para reduzir o risco de obesidade infantil ao prevenir peso alto ou baixo no nascimento, prematuridade e outras complicações na gravidez)”.

- “Fornecer orientações sobre e suporte para uma dieta saudável, sono e atividade física na infância, promover hábitos saudáveis e garantir que as crianças cresçam de forma adequada e desenvolvam hábitos saudáveis (promovendo o aleitamento materno, limitando o consumo de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal, e assegurando a disponibilidade de alimentos saudáveis e atividade física)”.

- “Elaborar programas abrangentes que promovam ambientes escolares saudáveis, saúde e conhecimentos de nutrição, além de atividade física entre crianças em idade escolar e adolescentes (por meio do estabelecimento de normas para a merenda escolar, eliminando a venda de alimentos e bebidas não saudáveis e incluindo nutrição e educação física de qualidade no currículo base)”.

- “Fornecer serviços de controle de peso, baseados na família e com diversos componentes, para crianças e jovens obesos”.

 Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, “cerca de 800 milhões de pessoas no mundo apresentam subnutrição crônica e 159 milhões de crianças menores de cinco anos de idade estão desnutridas. Aproximadamente 50 milhões de crianças menores de cinco anos têm baixo peso em relação à altura, mais de dois bilhões de pessoas sofrem de deficiências de micronutrientes e 1,9 bilhão são afetadas por excesso de peso, das quais mais de 600 milhões são obesas”.