Era uma vez uma linda criança que comia todos os legumes. Um dia, uma bruxa má lançou um feitiço, e aquela boquinha não quis mais saber de se abrir para legumes e verduras. Pode parecer hist da carochinha, mas é assim, como num passe de mágica, que os pais relatam mudanças no comportamento alimentar de seus filhos. Segundo o pediatra e nutro Naylor Alves Oliveira, professor associado de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essa é a queixa mais comum nos consults médicos e faz parte do desenvolvimento das crianças.

"Parece incrível: de uma hora para outra, a criança deixa de aceitar determinados alimentos. É o que chamamos de anorexia seletiva, que costuma ocorrer por volta do segundo ano de idade", afirma o médico, acrescentando que, se os pais forem bem orientados, o problema é temporário e, da mesma maneira que a criança passou a rejeitar o alimento, ela volta a comer direitinho. "Nunca se deve forçar uma colherada sequer. Atitudes como essa podem levar a uma rejeição duradoura que ofereça risco nutricional", alerta.

Mas como reagir então? O professor explica que a primeira providência é se certificar sobre o estado de saude da criança em geral. Infecções de garganta, por exemplo, vão dificultar que a criança coma: "Ela até tem vontade, mas a dor não permite." Já infecções urinárias ou respirats realmente tiram o apetite. Afastadas essas doenças, é provável que a criança esteja usando a refeição para se afirmar diante dos pais.

Os adultos podem ajudar as crianças a fazer as suas escolhas ao dar sugestpositivas e evitar o conflito de decis "Isso é uma etapa muito importante do aprendizado", orienta Naylor, sugerindo que os pais façam as perguntas certas. "Em vez de perguntar se a criança quer vitamina, deve-se perguntar se ela quer um copo pequeno ou grande ou se prefere uma banana à maçã. Tem que deixar a criança escolher." Além disso, os pais não devem fazer alvoroço porque não conseguem estacionar o aviãozinho no hangar. "Não quer comer o feijão? Tudo bem. Come o arroz e a carninha. Nessa fase, elas aceitam bem os combinados. No dia seguinte, coloca-se novamente o feijão no prato. O que não pode é desistir de oferecer."

Ele chama a atenção para o fato de que crianças não comem por gula, a não ser que estejam compensando algum outro problema. Isso, aliás, é motivo de cuidados. "Uma criança aos 2 anos pode comer menos do que quando tinha 1. A quantidade de comida não acompanha a idade. Elas comem mais nos picos de crescimento, nas fases de estirão."

Segundo Oliveira, a apresentação dos alimentos faz toda a diferença assim, como a variação no preparo. "As crianças se atraem por comidas las, especialmente se elas tiverem a chance de participar da preparação. Nessa idade, elas também querem tocar e comer com as mãos. Os pais têm que entender isso. Se tiverem paciência, aos 5, 6 anos, seus filhos estarão comendo de modo saudável." Um final feliz, como nos contos de fada.