Com um estilo de vida cada vez mais sedentário e hábitos alimentares ruins, as crianças brasileiras se tornam mais gordas a cada ano que passa, ao contrário das americanas, que já mostraram uma tendência a controlar a situação.

As estratégias de marketing em relação a alimentos e bebidas direcionados a essa população condicionam um consumo exagerado de fast-food, refrigerantes e guloseimas, que são maciçamente anunciados nos “horários infantis” de televisão.

Quanto mais tempo uma criança passa assistindo, maior o risco de ela engordar. Em alguns casos extremos, a tendência genética é tão forte que a gravidade acaba levando até mesmo à necessidade de uma cirurgia bariátrica.

Medidas legislativas recentemente adotadas no Brasil prometem regulamentar essas ações de marketing direcionadas ao público infantojuvenil. É preciso também promover a mudança ambiental que estimule a prática de atividades físicas. De nada adianta recomendarmos às nossas crianças uma vida mais ativa se o bairro onde elas vivem não permite que se desloquem caminhando ou pedalando.

Estabelecido o excesso de peso, o tratamento deve ser direcionado à família, mais do que à própria criança.

*Walmir Coutinho é professor de endocrinologia da PUC-Rio e presidente da Federação Mundial de Obesidade (www.worldobesity.org)