Rio de Janeiro, RJ (fevereiro de 2017) – Um relatório divulgado no último mês pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), faz um alerta importante: 2,5 milhões de crianças sul-americanas menores de cinco anos estão com sobrepeso. O levantamento, intitulado Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe, aponta que a América do Sul é, atualmente, a sub-região mais afetada pelo sobrepeso infantil entre os locais avaliados – ainda que entre 1990 e 2015 tenha sido registrada uma leve queda nesse índice: de 7,5% para 7,4%. Na análise da Amil, empresa de saúde que lidera um movimento contra a obesidade infantil no país, pesquisas realizadas por organizações oficiais são importantes norteadores para motivar entes públicos e privados a criarem ações de enfrentamento da doença.

O relatório destaca que as características do padrão alimentício – como o baixo consumo de frutas, legumes e verduras e o aumento do consumo de produtos processados e ultraprocessados, com alto teor de açúcar, gordura e sal – estão fortemente associadas à maior prevalência de sobrepeso, obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e acidente vascular cerebral) e alguns cânceres. No grupo de países estudado, as doenças cardiovasculares figuram como a principal causa de morte entre as doenças não transmissíveis, atingindo, em média, 202 mortes por 100 mil habitantes na América Latina e no Caribe.

A publicação também destaca que o Brasil é o líder mundial em produção de açúcar, sendo responsável por um terço do volume global. O nutrólogo pediátrico Hélio Rocha, consultor do movimento Obesidade Infantil NÃO, da Amil, alerta que, diante da atual crise econômica no país, as famílias passam a ter menos acesso a alimentos saudáveis e buscam os itens com maior presença de açúcar na composição, que fornecem energia, saciam a fome e são mais baratos. “Cada vez mais, o açúcar tem sido apontado como vilão da má alimentação. Diversos estudos enfatizam os riscos desse alimento, como o do pesquisador Robert Lustig, da Universidade da Califórnia, publicado no ano passado na revista da Sociedade Americana de Obesidade. Segundo o estudo, o açúcar seria o responsável direto por doenças cardiovasculares, gordura no fígado, diabetes tipo 2 e cárie. É um cenário preocupante, já que os pequenos tendem a saborear mais itens adocicados”, alerta.

O levantamento conjunto da FAO e da OPAS lembra também que países da América Latina, do Caribe e da América do Norte assinaram, em 2014, um plano de ação para a prevenção da obesidade na infância e na adolescência. O plano propõe cinco linhas de ação para enfrentamento do problema: atenção básica e promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável; melhoria do ambiente, no que diz respeito à nutrição e à atividade física nas escolas; políticas fiscais e regulamentação da publicidade e da rotulagem de alimentos; monitoramento, pesquisa e avaliação; e outras medidas multissetoriais.

Na esfera pública, o relatório adota como exemplo o programa Brasil Saudável e Sustentável, lançado no último ano pelo Governo Federal, que consiste em um conjunto de iniciativas com o objetivo de promover a alimentação saudável e alertar para os riscos da má alimentação. Na iniciativa privada, a Amil é uma das lideranças nacionais no combate à obesidade infantil. A empresa disponibiliza um portal (www.obesidadeinfantilnao.com.br) com instruções de especialistas sobre como lidar com a doença, vídeos sobre a prática de atividade física, infográficos com dados sobre o assunto e dicas de receitas saudáveis.

“Na Amil, esse tipo de pesquisa ajuda como um norteador para nossas ações. Acreditamos na mobilização social para chegarmos ao controle da obesidade, que hoje já é classificada como uma epidemia mundial. Há quatro anos, abraçamos essa causa e, na nova fase da nossa campanha, estamos chamando a atenção dos pais para a importância dos laços sentimentais com seus filhos, abordando como os responsáveis podem contribuir para mudar os hábitos alimentares e o estilo de vida dos pequenos”, explica Odete Freitas, diretora de Sustentabilidade da Amil.