(ONUBR – 07/03/2018) O chefe da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, pediu na terça-feira (6) que os países da América Latina e Caribe combatam todas as formas de má nutrição, incluindo a obesidade. Durante conferência da agência da ONU para a região, na Jamaica, o dirigente afirmou que “erradicar a fome não deve ser a única preocupação em uma região na qual o sobrepeso afeta 7% das crianças com menos de 5 anos e na qual 20% dos adultos dos 24 países são obesos”.

De acordo com os últimos dados da FAO, mais de 1,9 bilhão de adultos têm excesso de peso no mundo e, destes, mais de 650 milhões são obesos. A situação é especialmente preocupante na América Latina, onde a obesidade afeta 96 milhões de adultos.

Segundo Graziano, a luta contra a fome deve ser mantida no topo da agenda política das nações latino-americanas e caribenhas, mas governantes também precisam enfrentar o outro lado da má nutrição. “Temos de garantir a todos o direito não apenas à alimentação, mas também a uma dieta saudável e adequada”, disse.

O especialista defendeu que é necessário “alcançar sistemas alimentares verdadeiramente sustentáveis, nos quais a produção, a comercialização, o transporte e o consumo de alimentos garantam uma alimentação realmente nutritiva”. “O consumo de produtos locais frescos, que substituam os alimentos altamente processados, também é fundamental”, completou.

 

FAO aposta no compromisso da região com fim da fome.

Graziano lembrou que, em 2015, a América Latina e o Caribe se tornaram um exemplo global, sendo as primeiras regiões do mundo a cumprir a meta sobre desnutrição estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – reduzir pela metade a fome, que passou de 14,7% no biênio 1990-1992 para 5,5% no período 2014-2016.

No entanto, de acordo com o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2017, o número total de pessoas que sofrem de fome na região voltou a crescer, passando de 40 milhões para 42,5 milhões.

Apesar do retrocesso, o chefe da FAO disse que está convencido de que o mesmo compromisso político que possibilitou alcançar a meta dos ODM conseguirá reverter essa tendência.

Os países, afirmou, devem continuar a apostar em políticas sociais, econômicas e produtivas mais inclusivas e trabalhar pelo desenvolvimento dos sistemas legislativos e de governança necessários para promover a segurança alimentar. “Isto é fundamental para alcançar o compromisso da CELAC (sigla para a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) de atingir a fome zero até 2025”, acrescentou.

 

Agricultura familiar e mudanças climáticas.

Graziano também defendeu a combinação de medidas de proteção social com o fortalecimento da agricultura familiar, o que gera desenvolvimento local e contribui para tornar a exploração dos territórios mais dinâmica. O diretor lembrou que a ONU observará, a partir de 2019 e até 2028, a Década da Agricultura Familiar. O período mobilizará atenção global para esses produtores que são responsáveis por mais de 80% da comida do mundo.

Outro tema abordado pelo chefe da FAO foram os riscos trazidos pelas mudanças climáticas para a manutenção e crescimento dos sistemas agroalimentares. Na região, desastres recentes, como os furacões que atingiram países da América Central e do Caribe, são exemplos da devastação que poderá se agravar no futuro.

Graziano pediu aos países que promovam a adaptação da agricultura às transformações do clima, sobretudo para proteger as comunidades rurais pobres. O dirigente ofereceu o apoio da agência da ONU para a concepção de projetos na área e também para a mobilização de recursos, através de mecanismos financeiros como o Fundo Verde para o Clima. Recentemente, a FAO aprovou um financiamento de 90 milhões dólares junto a esse organismo, para um projeto no Paraguai.

Graziano alertou ainda para a proteção da biodiversidade na América Latina e no Caribe, habitat de uma grande variedade de espécies de plantas e animais que são importantes para a agricultura, a alimentação e o turismo.

Fonte: https://nacoesunidas.org/fao-alerta-para-obesidade-na-america-latina-e-caribe/